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Por que acordar às 4h30 para suar exaustivamente parece mais leve que abrir o notebook às 8h30?

  • cornelispoel
  • 2 de mar.
  • 8 min de leitura
Training Camp de triathlon no Carnaval 2026.
Training Camp de triathlon no Carnaval 2026.

Prólogo


“Acordo às 4h30 em pleno sábado de Carnaval. Sonolento, preparo meu café da manhã com tapiocas, ovos, mamão e um café puro fortíssimo. Em seguida, organizo os equipamentos esportivos e sigo para um Training Camp de triathlon. Ao chegar, encontro cerca de trinta atletas amadores já posicionados, prontos para iniciar uma rotina intensa de oficinas e treinos que se repetiria por quatro dias consecutivos.” (Cornelis Poel - triatleta participante do referido Training Camp e autor deste artigo)


1. Introdução


O que leva um grupo de pessoas a abrir mão das inúmeras possibilidades de descanso ou lazer típicas do Carnaval e, voluntariamente, pagar para se submeter a jornadas extenuantes, acordando antes do amanhecer e treinando sob temperaturas superiores a 30ºC? E mais: como explicar que, mesmo diante de esforço físico elevado, o ambiente seja marcado por entusiasmo, energia e satisfação genuína?


Essa foi a atmosfera vivida no Training Camp da LV Consultoria Esportiva, realizado entre 14 e 17 de fevereiro de 2026, em São José dos Campos (SP).


A grande questão


Por que esse “sofrimento escolhido” gera bem-estar, enquanto abrir o notebook às 8h00 ou 9h00 em um escritório confortável, climatizado e com benefícios corporativos não produz, com a mesma facilidade, níveis comparáveis de motivação e satisfação?


Para compreender essa diferença e identificar caminhos para elevar o bem-estar no ambiente de trabalho, é necessário ir além da explicação simplista “é porque eles gostam de triathlon”. Este artigo faz uma análise qualitativa do fenômeno sob duas lentes complementares: PERMA‑V, do Martin Seligman (SELIGMAN, 2011), expandido pela Emiliya Zhivotovskaya (ST ANDREW’S COLLEGE, s. d.), e DRIVER, do Jan‑Emmanuel De Neve (DE NEVE; WARD, 2025). A partir dessas perspectivas, são apresentadas recomendações aplicáveis ao contexto organizacional.


2. Perspectiva pelos pilares do PERMA‑V


2.1 O que é o PERMA de M. Seligman expandido com o V pela E. Zhivotovskaya


O PERMA‑V é um modelo de bem-estar composto por seis pilares:


  • Emoções Positivas — estados emocionais que ampliam resiliência e disposição.

  • Engajamento — imersão total em atividades significativas, frequentemente associada ao estado de flow.

  • Relacionamentos Positivos — vínculos de confiança, apoio e pertencimento.

  • Propósito e Significado (Meaning and Purpose) — percepção de contribuir para algo maior.

  • Realização (Achievement) — progresso, metas alcançadas e senso de competência.

  • Vitalidade — energia física e mental, saúde e disposição.


Esses elementos, quando presentes simultaneamente, sustentam motivação intrínseca e alto desempenho.


2.2 Por que no Training Camp as pessoas dão o seu melhor espontaneamente e por que nas organizações é tão mais difícil gerar o mesmo nível de dedicação


O Training Camp cria um ambiente que ativa, de forma natural, todos os pilares do PERMA‑V, enquanto nas organizações há fatores que tendem a enfraquecê-los ou, pelo menos, torná-los mais difíceis de serem alcançados.


Na tabela a seguir, é realizada uma comparação entre o que ocorre no Training Camp versus condições e cenários comuns no Trabalho nas Organizações.



Training Camp

Trabalho nas Organizações

Emoções Positivas

Orgulho (de estar em um esporte tão intenso), superação, camaradagem e entusiasmo.

Substituídas por pressão, urgência e medo de falhar.

Engajamento

Treinos desafiadores, foco intenso e feedback imediato.

Prejudicado por interrupções, excesso de reuniões, tarefas fragmentadas e inseguranças.

Relacionamentos Positivos

Apoio mútuo, confiança e espírito de equipe.

Impactados por política interna, competição, hierarquia e falta de tempo para edificá-los.

Propósito e Significado

Evolução pessoal clara, saúde e pertencimento a uma comunidade.

Frequentemente abstratos ou distantes da rotina diária.

Realização 

Métricas claras de progresso, como tempo, distância e técnica.

Pouco perceptível, lenta ou sem o devido reconhecimento.

Vitalidade 

Movimento constante, alimentação adequada e energia coletiva.

Comprometida por sedentarismo, estresse crônico, falta de pausas e refeições ora apressadas, ora de má qualidade.


Enquanto no Training Camp há um ciclo virtuoso em que o esforço alimenta o bem‑estar e o bem‑estar aumenta a disposição para o esforço, nas organizações o próprio desenho do trabalho muito comumente tende a estimular conformidade, reduzir entusiasmo e limitar o esforço a um nível apenas suficiente para um desempenho mediano, além de criar riscos à saúde física e mental.


2.3 PERMA-V Recomendações para o bem-estar no trabalho inspiradas no Training Camp


  • Criar rituais de propósito — conectar tarefas ao impacto real.

  • Promover condições de flow — reduzir interrupções e aumentar clareza de desafios.

  • Fortalecer vínculos — incentivar conversas genuínas e segurança psicológica.

  • Dar visibilidade ao progresso — celebrar microvitórias e reconhecer esforços.

  • Cuidar da vitalidade — incentivar pausas, movimento e ambientes saudáveis.

  • Reforçar significado — mostrar como cada contribuição se conecta ao todo.


3. Perspectiva pelos pilares do DRIVER


3.1 O que é o DRIVER de Jan‑Emmanuel De Neve


O DRIVER identifica seis determinantes do bem-estar no trabalho:


  • Desenvolvimento e Segurança — crescimento contínuo e segurança (estabilidade).

  • Relacionamentos — vínculos de confiança e apoio.

  • Independência e Flexibilidade — autonomia e liberdade para trabalhar.

  • Variedade e Realização — diversidade de atividades e senso de realização.

  • Salários e Benefícios (Earnings and Benefits) — remuneração e benefícios percebidos como justos.

  • Riscos, Saúde e Segurança — riscos controlados, saúde e segurança física e mental.


O modelo complementa o PERMA‑V ao traduzir bem-estar em fatores diretamente gerenciáveis pelas organizações.


3.2 Por que no Training Camp as pessoas dão o seu melhor espontaneamente e por que nas organizações é tão mais difícil gerar o mesmo nível de dedicação


Como ocorre com o PERMA-V, o Training Camp também ativa todos os elementos do DRIVER — e muitos deles convergem com os pilares do PERMA‑V. A tabela abaixo, pela ótica do DRIVER, traz um comparativo do Camp com Trabalho nas Organizações, incluindo, entre parêntesis, comentários acerca do alinhamento com o PERMA-V.



Training Camp

Trabalho nas Organizações

Desenvolvimento e Segurança

Evolução diária e ambiente seguro onde se pode errar, corrigir e melhorar com segurança (convergente com Realização e Vitalidade).

Planos de desenvolvimento frágeis, ou até inexistentes, e inseguranças com relação à própria posição e emprego (afeta Realização e Engajamento).

Relacionamentos 

Vínculos fortes e apoio mútuo (convergente com Relacionamentos Positivos).

Relações tensas, nem sempre transparentes, por vezes, exclusivamente por interesse, e existem ainda os silos (afeta Relacionamentos Positivos).

Independência e Flexibilidade

Autonomia sobre ritmo e estratégia (convergente com Engajamento).

Há microgestão e pouca autonomia (afeta Engajamento).

Variedade e Realização

Treinos diversificados e propósito claro (convergente com Propósito e Significado).

Há tarefas repetitivas e de pouco significado (afeta Propósito)

Salários e Benefícios

Benefícios emocionais e físicos imediatos (convergente com Emoções Positivas e Vitalidade).

Benefícios frequentemente percebidos como insuficientes (afeta Emoções Positivas).

Riscos, Saúde e Segurança

Riscos controlados e foco em saúde (convergente com Vitalidade).

Exposições a riscos físicos e psicossociais, podendo ter reflexos físicos (e.g. DORT) e mentais (e.g. estresse crônico e burnout) (afeta Vitalidade).


A observância de ambos os modelos reforça a força do ambiente: o Training Camp não ativa apenas um ou dois fatores, mas praticamente todos simultaneamente!


Nas organizações, segundo DE NEVE (2025) e (DE NEVE; WARD, 2025), 46,9% do bem-estar no trabalho, dito pelos próprios funcionários em pesquisas extensivas, é de responsabilidade deles mesmos. Os demais 53,1% concernem à empresa, e é o desenho do trabalho, atrelado sobretudo à alta gerência e líderes diretos, que tem importância fundamental.

          

3.3 DRIVER Recomendações para o bem-estar no trabalho inspiradas no Training Camp


  • Desenvolvimento real e segurança — feedback frequente, cultura de aprendizado, PDIs eficazes e iniciativas abertas de valorização das pessoas.

  • Relacionamentos saudáveis — rituais de conexão e colaboração (reuniões com frequência e escopo determinados, tanto de time como individuais, momentos de descontração dentro/fora da empresa para ganho de envolvimento pessoal etc.) e comunicação franca e aberta (investimento em segurança psicológica)

  • Autonomia e flexibilidade — liberdade para definir como executar o trabalho, eliminação completa de microgerenciamento.

  • Variedade e realização — diversificação de atividades (rotação em áreas, mudanças e/ou incrementos de escopos) e clareza de impacto do trabalho.

  • Benefícios percebidos como valiosos — reconhecimento emocional e práticas de bem-estar.

  • Cuidado com saúde e segurança — estímulo às pausas, inserção de ginástica laboral e controle de riscos psicossociais.


4. Conectando PERMA‑V e DRIVER do Training Camp e levando para o trabalho


O Training Camp funciona como um ambiente de alto desempenho porque ativa simultaneamente os pilares do PERMA‑V e os determinantes do DRIVER! Os seguintes fatores podem ser destacados:


  • Relacionamentos aparecem como fator crítico em ambos.

  • Autonomia e Engajamento se reforçam mutuamente.

  • Propósito, Realização e Significado são centrais para motivação intrínseca.

  • Vitalidade, Saúde e Segurança sustentam energia e resiliência.

  • Realização e Desenvolvimento criam ciclos de progresso contínuo.


A principal conclusão é clara: não é o simplesmente o esporte que motiva — é a construção de um ambiente favorável que potencializa a motivação intrínseca dos atletas, fazendo com que cada um dê o melhor de si o tempo todo. Quando as organizações, sobretudo através de seus líderes, estruturam sistemas que promovem clareza, autonomia, pertencimento, propósito, progresso e vitalidade, o comportamento espontâneo de dedicação para o alto desempenho emerge naturalmente.


Chamado para ação


Líderes que desejam criar ambientes mais saudáveis e produtivos precisam ir além da tentativa de apenas motivar ou pressionar pessoas. O foco deve estar em construir condições organizacionais que preservem e ampliem a motivação e a disposição natural que as pessoas já têm para gerar grandes resultados. Para isso, as intervenções internas precisam priorizar o desenho do trabalho, promovendo ajustes estruturais guiados pelos elementos do PERMA‑V e do DRIVER.


É preciso destacar que cada organização e cada time tem suas próprias particularidades. Deve-se, portanto, evitar abordagens padronizadas e desenvolver soluções específicas para cada time, respeitando suas necessidades, dinâmicas e contextos.


Por fim, embora o Training Camp revele, de forma intensa e mensurável, como o PERMA‑V e o DRIVER podem elevar o bem‑estar e o desempenho, é fundamental reconhecer que ambientes corporativos possuem dinâmicas, restrições e naturezas distintas que impedem uma transposição integral desse modelo. Ainda assim, justamente por produzir efeitos tão profundos, o Training Camp se torna uma referência valiosa: ele ilumina princípios, práticas e ajustes que podem ser adaptados à realidade de cada organização, orientando líderes sobre como construir contextos mais saudáveis, motivadores e sustentáveis.



Referências


  • SELIGMAN, Martin E. P. Flourish: A Visionary New Understanding of Happiness and Well‑being. New York: Free Press, 2011.

  • ST ANDREW’S COLLEGE. PERMA‑V: Our framework for wellbeing. [S. l.], [s. d.]. Disponível em: https://www.stac.school.nz/life-at-stac/well-being-pastoral-care/perma-v . Acesso em: 27 fev. 2026.

  • DE NEVE, Jan‑Emmanuel; WARD, George. Why Workplace Wellbeing Matters: The Science Behind Employee Happiness and Organizational Performance. Boston: Harvard Business Review Press, 2025.

  •  DE NEVE, Jan‑Emmanuel. Bem-estar como vantagem competitiva: por que empresas que cuidam das pessoas dão lucro e saem na frente. In: MIND SUMMIT, 2025, São Paulo. Conferência realizada em 28 out. 2025.


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CORNELIS POEL é Especialista em Superação Ativa para Líderes, Equipes e Empreendedores. Tem um notável histórico de resiliência e superação, por ter vencido várias doenças graves, um transplante de fígado e ainda ter se tornado triatleta! Além disso, possui sólida experiência de liderança em 20 anos de vida corporativa em grandes multinacionais!


É esse background, aliado à sólida formação acadêmica - é Doutor (PhD) - que ele leva às suas Palestras, Workshops, Minicursos, Mentorias e Consultorias.


Para saber mais sobre CORNELIS POEL e como ele pode ajudar líderes e equipes com práticas de superação que levam à alta performance e resultados excepcionais, clique aqui: www.cornelispoel.com.br  


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